“Nossa última perda, a Música” (Emil Cioran)

Portal E.M. CIORAN 🇧🇷

Só amam a música aqueles que sofrem por causa da vida. A paixão musical substitui todas as formas de vida que não foram vividas e compensa no plano da experiência íntima as satisfações encerradas no círculo dos valores vitais. Quando se sofre vivendo, a necessidade de um mundo novo, distinto do que vivemos habitualmente, nasce de forma imperiosa para não diluir-nos em um vazio interior. E esse mundo só a música pode trazê-lo. Todas as outras artes descobrem novas visões, configurações ou formas novas; somente a música traz um novo mundo. As obras mais importantes da pintura, por maior que seja o enlevo que te produza sua contemplação, te obrigam a fazer comparações com o mundo de todos os dias e, por conseguinte, não te oferecem a possibilidade de entrar em um mundo absolutamente distinto. Em todas as outras artes, tudo está próximo, mas não tanto que se torne uma…

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É preciso aprender a amar – Nietzsche

EIS O QUE SUCEDE conosco na música: primeiro temos que aprender a ouvir uma figura, uma melodia, a detectá-la, distingui-la, isolando-a e demarcando-a como uma vida em si; então é necessário empenho e boa vontade para suportá-la, não obstante sua estranheza, usar de paciência com seu olhar e sua expressão, de brandura c om o … Continue lendo É preciso aprender a amar – Nietzsche

Ney Matogrosso: o Corpo Musical, Metáfora da Alma

Ney Matogrosso na manhã de domingo: estremecimentos angelicais, turbulentas sensações, palpitações, comoção exterior ao universo. “Pedra de rio”: pensa numa música supremamente triste, linda de morrer… Experiência indescritível a cada vez que a ela retorno. Música arquetípica, heraclítica, fundadora como o Mito. Nela, coincidimos com as origens e os fins. Ney Matogrosso, metáfora da alma. Na Música, tudo é … Continue lendo Ney Matogrosso: o Corpo Musical, Metáfora da Alma

De orgullo y de miedo (Andrés Calamaro)

A languidez de uma manhã sonolenta e envolvente, o amarelo alaranjado do sol refletido na água que corre suavemente rio abaixo. Palavra alguma, os dois deitados, em silêncio, na cama daquela cabana rústica de madeira no topo da montanha. Olhares, carícias, suspiros. A manhã perfeita após uma noite de amor à luz de velas. O … Continue lendo De orgullo y de miedo (Andrés Calamaro)

Sobre ruídos e “fruição estática”

Por onde começar?Podemos começar de qualquer ponto. É sempre útil examinar o negativo para poder ver claramente o positivo. O negativo do som musical é o ruído. Ruído é o som indesejável.Ruído é a estática no telefone ou o desembrulhar balas do celofane durante Beethoven.Não há outro meio para defini-lo. Às vezes, a dissonância é … Continue lendo Sobre ruídos e “fruição estática”

Huun Huur Tu & The Bulgarian Angelite Choir: vozes do além

Música e antropomorfismo Quanto menos humana (antropomórfica) parecer a música, melhor. Daí o ideal de que a obra, emancipada do criador, adquiria uma existência autônoma, como se não mantivesse nenhuma relação com ele. De onde a superioridade (para mim) do instrumental sobre tudo o que é cantado, vocalizado... Alguns não suportam nada instrumental, nada que … Continue lendo Huun Huur Tu & The Bulgarian Angelite Choir: vozes do além

Compasso & descompasso

Instantes únicos em que nos sentimos dissolver em música, quando, docemente oprimidos pela violência de seus encantos, desejamos sublimar e desaparecer com ela, tão logo termine a sua escuta. A vida é normalmente um estado cacofônico, pautado pela dissonância e pelo descompasso, enquanto que a morte nos devolve à harmonia sem tempo nem nome do silêncio … Continue lendo Compasso & descompasso