De orgullo y de miedo (Andrés Calamaro)

A languidez de uma manhã sonolenta e envolvente, o amarelo alaranjado do sol refletido na água que corre suavemente rio abaixo. Palavra alguma, os dois deitados, em silêncio, na cama daquela cabana rústica de madeira no topo da montanha. Olhares, carícias, suspiros. A manhã perfeita após uma noite de amor à luz de velas. O sol brilhando no céu, o céu brilhando no rio, e a luz cândida da manhã adentrando suavemente pela janela da cabana.

Finalmente eles se haviam encontrado, após anos na clandestinidade. Finalmente estavam juntos novamente. Seus “desafetos” estavam todos mortos, nenhum foi poupado. Em vez de esperá-los, foi atrás de um por um. Conseguiu sair impune e conquistar o que mais lhe importava. Seu corpo, cheio de hematomas, duas costelas quebradas, um corte profundo no supercílio e dores por todo o corpo. E, sobretudo, a dor na alma, agora cicatrizada, pelo fato de terem feito a sua amada acreditar numa grande mentira a seu respeito.

“Que mescla de orgulho e de medo”, pensou ele, enquanto a abraçava e beijava docemente os seus lábios, “Finalmente te encontrei, minha vida. Foi difícil encontrar-te, por isso cada segundo é tão importante, e já não me doem as feridas.”

Soltando-a levemente de seus braços, apartou-a de si e se levantou, abriu a porta da cabana e, sem camisa, apenas de calça jeans, com o revólver enfiado na virilha, caminhou até a beira do riacho. Aquela manhã parecia eterna, e tão efêmera…. Teve um mau pressentimento, e tornou a pensar: “Que mescla de orgulho e de medo…”

Só Deus sabia o que havia passado e o que havia feito para chegar até ali, para resgatar e fugir com o amor da sua vida. Sua vida foi do pesadelo ao sonho. Sentia-se um monstro, um ser abjeto. Em todo caso, um amante realizado. E isso lhe bastava. Ao longe, atravessando o silêncio daquele cenário bucólico e docemente matinal, as sirenes tornavam-se cada vez mais altas, cada vez mais próximas…

Tardé tanto tiempo en encontrarte,
habría salido a buscarte , mi vida,
por eso cada segundo es tan importante,
y no me duelen ya las heridas.

Que mezcla de orgullo y de miedo,
seré el dedo que te toca, el que te besa en la boca,
la vaina de tu cuchillo.

Cualquiera se cansa de milongas,
y quiere querer y también ser querido,
confieso haber vivido , afuera del margen,
de lo permitido y de la moral.

Que mezcla de orgullo y de miedo,
seré el dedo que te toca, el que te besa en la boca,
la vaina de tu cuchillo.
Que brille el sol en el cielo, que brille el cielo en el río,
y la luz en tu ventana, adonde estamos dormidos.

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