Mike Patton, educador

Primeiramente, às favas com os purismos; às favas com toda “ortodoxia”, em religião, política, em música e em tudo…

Música é a minha sustância, o meu tutano, o meu alento.

Quando era pequeno, aprendi a gostar de Kiss por causa do meu irmão mais velho. Tínhamos uma banda cover de Kiss, e usávamos caixas e vassouras como instrumentos; ele era o vocalista e guitarrista, eu era o baterista.

Adolescente, de uma geração que viu a MTV iniciar sua transmissão brasileira com Marina Lima (“Garota de Ipanema”), descobri Faith No More, com o hit “Epic”. Amor à primeira vista.

Mal sabia eu que o vocalista daquela banda tinha outra banda, Mr. Bungle, que eu descobriria ser infinitamente mais interessante do que a vedete da MTV.

Comprei o primeiro álbum do Mr. Bungle, produzido por John Zorn. A princípio, achei meio estranho, não gostei. Passei alguns anos vidrado no Faith No More e sem dar muita atenção ao Mr. Bungle, que achava esquisito demais.

Aquele vocalista meio louco, afetado, cheio de poses de vozes, foi a minha inspiração maior. E o meu padrão de exigência musical. Foi quem me formou musical e filosoficamente.

Ensinou-me a apreciar a Música em todas as suas expressões, clássicas e populares. Se sou musicalmente eclético, e cético, devo-o  em grande parte a ele. Enfim, sem entrar no mérito de gêneros musicais (e são infinitos), me ensinou a gostar de tudo e de nada, musicalmente falando.

Este blog é inspirado no (e toma o seu título do) álbum de um dos seus projetos musicais, Fantômas. O álbum é o vertiginoso Delìrivm Còrdia, uma verdadeira experiência (de terror e delícia) musical (pretendo escrever sobre ele).

Mike Patton, educador — mais ou menos como Nietzsche diz de Schopenhauer que foi o seu educador. Ensinou-me (e continua a ensinar) a experimentar musicalmente, a explorar novos territórios, do popular ao avant-garde, a forçar-me (e esforçar-me) para sacudir a mesmice, a monotonia musical reinante na indústria cultural (cuja regra é produzir lixo). Saborear a diversidade, o belo e o sublime, mas também o ruidoso e o grotesco — pois, como diz Baudelaire, o belo e o sublime são apenas a metade da arte, a outra metade sendo o efêmero, o transitório, o fugidio, o contingente.

Música é essencial para ser tratada como qualquer coisa, para não precisar fazer a diferença na vida de uma pessoa. Música é alento, é o sentido e a razão da vida: ser ritmo, melodia, pretexto de dança e alegria…

Mede-se a mediocridade (quando não o fanatismo potencial) de um indivíduo pela música que entra na sua vida. Quem só gosta de um gênero de música é uma topeira; quem não tem senso de humor é um aleijado; quem não é cético é um fanático em potencial. À merda os purismos, à merda quem fala em “alta” e “baixa” cultura…

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